Há um prazer
na devassa do trágico pessoal, no borbulhar e no burburinho. É este um prazer
que dói e mói, mas cujos espinhos fazem sangrar lágrimas de depravada
felicidade. Chamo-lhe uma alegria só para mim, porque é em tudo diferente da
outra, mais vulgar, e porque a esta retorno sem pudor, na esmagadora tentativa
de ir descobrindo o que é amar, o que sou eu contigo na mente mas sem ti à
minha frente.
Relembrar-te
torna-se uma vez mais a pedra no sapato que escolho não sacudir porque aprendi
a achar graça à dor.
Ter-te em
mim é a minha homenagem a todos os que se arrastam sorrindo em riste a esse
destino triste.
Carregar-te
traz a noite e os uivos das ladainhas desgraçadas (a minha e a de todos).
Mas, acima
de tudo isto, há o viver-te, e é sobre esse que lanço a milésima pedra da ponte
que vai desabar na água.
Pois se há
um inusitado desejo do infortúnio, dou outro passo e aqueço-me ao gozo de não
me corresponderes.
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