éramos dez reis de gente
quando te disse que amava
ser uno com o mundo agora
passaram anos e luzes
cidades matrizes vieram
e me propuseram a isto
à sombra de não saber
a distância do caminho
nem o adeus ao que fui
embacia-se o copo sujo
a taça de vinho que pedi
num café da minha rua
fumos modestos que vivi
espelhos que não mostram já
quem tentei um dia ser
não lhe chamaria mágoa
mas antes a água de uma vida
limpando a poeira de crescer
não durmo, de medo da aurora
mas o sol torna e reconforta
até novo despontar de breu
em tempos não me comovi.
cuidava de sensações que não tinha
hoje, aperto-me ao calor da madrugada
remexo os sabores ébrios
morro pelos laivos de sonhos
brilhantes, e que me levam
queria ver-te de novo
mas por um mal que não fiz,
separou-nos o avançar do tempo
mas ainda resta o balançar do corpo
e as lembranças que perduram,
mais os tempos de olhos fechados
o meu passado já vai noutra estação
apeei-me à espera dele
mas segue em comboio que não pára
talvez um dia volte a paz
de me reconhecer o reflexo.
por agora, deixo-me à deriva
(17 de Setembro)
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
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