Uma flecha caiu
Vinda do céu, e assobiando.
É o aviso, o divino cavalgando,
E assim ressarciu
A coragem a quem era brando
Soam os sinos
Canta-se a última balada
À laia de despedida, "minha amada,
Esperarás? Tornarei a teus verdes cristalinos?"
Vem de novo a toada
Há fogo na alma!
Incendiou-se o homem, bicho
Que, por males de capricho,
Sucumbe a vivalma
Irão, pois, hoje de novo
Ajoelhar-se à coroa de quem lá tem
Suas vontades - mas pelo bem
Sempre do pobre povo
Já não há medo!
Perdeu-se no enredo
Do vir morrer na praia
Gritem! Corram!
Saltem os que se enterram
Nos moribundos prazeres do momento
E oiçam o silvo prateado
Da flecha que cravou!
A flecha é a morte do que ficou!
À vida, gente, ao desejado!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Trio Cárcere
I
Vale a pena esperar pelos que não querem vir? Deixamo-los lá ou sentamo-nos? Ficamos acordados, ou vamos dormir?
Guardo-te, ou liberto-te?
Provei o amargo sabor do amor não-correspondido, impossível. Correram lágrimas, vieram silêncios intermináveis à janela, bebeu-se para esquecer, riu-se para esconder, escreveu-se para (des)abafar, mas ainda assim, sinto que não tenho história para te contar, minha carta, senão a de outro louco enamorado (e quem é que quer ouvir mais outra dessas?).
Continuo?
Guardo-te, ou liberto-te?
Provei o amargo sabor do amor não-correspondido, impossível. Correram lágrimas, vieram silêncios intermináveis à janela, bebeu-se para esquecer, riu-se para esconder, escreveu-se para (des)abafar, mas ainda assim, sinto que não tenho história para te contar, minha carta, senão a de outro louco enamorado (e quem é que quer ouvir mais outra dessas?).
Continuo?
II
Dá-me a mão
Vamos à praia
Traz o lenço de cambraia
Dá-me o beijo
Mas olhos na estrada
Mata-me o desejo
Dá-me o tudo - e o nada
Dá-me o braço
Sente os pés na areia
O frio saboreia
Dá-me um gesto
Senta-te comigo
E eu serei contigo
Nunca desonesto
Dá-me o braço
Que o sol já vai, mas queima ainda
Resquícios dessa tarde linda
Dá-me o beijo
Rouba-me o ar
(Já o fizeste
Só por aqui estar)
Dá-me a mão
Que Apolo busca seu manto,
E eu a melancolia, por quebranto
Vamos à praia
Traz o lenço de cambraia
Dá-me o beijo
Mas olhos na estrada
Mata-me o desejo
Dá-me o tudo - e o nada
Dá-me o braço
Sente os pés na areia
O frio saboreia
Dá-me um gesto
Senta-te comigo
E eu serei contigo
Nunca desonesto
Dá-me o braço
Que o sol já vai, mas queima ainda
Resquícios dessa tarde linda
Dá-me o beijo
Rouba-me o ar
(Já o fizeste
Só por aqui estar)
Dá-me a mão
Que Apolo busca seu manto,
E eu a melancolia, por quebranto
III
A selva no paraíso
É teu riso!
Precauções da psique...
Lá, dó, mi... Deixaste-me em menor, e preciso do sustenido no dó! - roubaste-mo! Devolve-o...
É teu riso!
Precauções da psique...
Lá, dó, mi... Deixaste-me em menor, e preciso do sustenido no dó! - roubaste-mo! Devolve-o...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
As jóias da coroa que caiu
Já não luzem
Os ceptros reais, do rei que fugiu
Que os usem
Os reinos de serras e mares?
Abandonados ao grito de um sonho
E a tradição, os cantares?
Perdidos ao sabor do enfadonho
As janelas que ficaram abertas
Apodrecem em lágrimas secas
As casas são já desertas
Vazias são agora as enxaquecas
E as ondas, que se revoltavam
Acalmaram
As tempestades, que se rebelavam?
Amainaram
Já não há motins no coração
Há becos, e baixios
Há poetas vadios
Remoendo em silêncio sua paixão
E as jóias, que tão bonitas eram
Embaciam
Vieram ventos que as absolveram
Da beleza que não queriam
O Império cai por terra
Às cinzas voltará
Se delas veio, e do fogo que encerra
Aqueles que a vida levará
Os céus, antes anis de felicidade
São cinzentos de resignação
Ajoelham-se, como que por vontade
Da chuva, que escorre para o chão
Uma folha cai
(Amarelece assai)
Já não sente a mãe
Esquece quem outrora a tem
E as jóias, que luziam como una?
Que deslumbravam?
Findaram - tolhidas pela fortuna
Do infeliz Império que representavam
Já não luzem
Os ceptros reais, do rei que fugiu
Que os usem
Os reinos de serras e mares?
Abandonados ao grito de um sonho
E a tradição, os cantares?
Perdidos ao sabor do enfadonho
As janelas que ficaram abertas
Apodrecem em lágrimas secas
As casas são já desertas
Vazias são agora as enxaquecas
E as ondas, que se revoltavam
Acalmaram
As tempestades, que se rebelavam?
Amainaram
Já não há motins no coração
Há becos, e baixios
Há poetas vadios
Remoendo em silêncio sua paixão
E as jóias, que tão bonitas eram
Embaciam
Vieram ventos que as absolveram
Da beleza que não queriam
O Império cai por terra
Às cinzas voltará
Se delas veio, e do fogo que encerra
Aqueles que a vida levará
Os céus, antes anis de felicidade
São cinzentos de resignação
Ajoelham-se, como que por vontade
Da chuva, que escorre para o chão
Uma folha cai
(Amarelece assai)
Já não sente a mãe
Esquece quem outrora a tem
E as jóias, que luziam como una?
Que deslumbravam?
Findaram - tolhidas pela fortuna
Do infeliz Império que representavam
Assinar:
Comentários (Atom)