segunda-feira, 16 de abril de 2012

Trio Cárcere

I

Vale a pena esperar pelos que não querem vir? Deixamo-los lá ou sentamo-nos? Ficamos acordados, ou vamos dormir?
Guardo-te, ou liberto-te?
Provei o amargo sabor do amor não-correspondido, impossível. Correram lágrimas, vieram silêncios intermináveis à janela, bebeu-se para esquecer, riu-se para esconder, escreveu-se para (des)abafar, mas ainda assim, sinto que não tenho história para te contar, minha carta, senão a de outro louco enamorado (e quem é que quer ouvir mais outra dessas?).
Continuo?

II

Dá-me a mão
Vamos à praia
Traz o lenço de cambraia

Dá-me o beijo
Mas olhos na estrada
Mata-me o desejo
Dá-me o tudo - e o nada

Dá-me o braço
Sente os pés na areia
O frio saboreia

Dá-me um gesto
Senta-te comigo
E eu serei contigo
Nunca desonesto

Dá-me o braço
Que o sol já vai, mas queima ainda
Resquícios dessa tarde linda

Dá-me o beijo
Rouba-me o ar
(Já o fizeste
Só por aqui estar)

Dá-me a mão
Que Apolo busca seu manto,
E eu a melancolia, por quebranto

III

A selva no paraíso
É teu riso!
Precauções da psique...

Lá, dó, mi... Deixaste-me em menor, e preciso do sustenido no dó! - roubaste-mo! Devolve-o...

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