quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E sigo, e ponho, e vejo
Mas não sei de que valerá
Essa utopia idílica
Sonhos arrastados pelo chão
Estandartes caídos

E digo, e sonho, e beijo
Como quem se lembra
Tantas vezes de quem ficou
E de quem veio

E penso, e quero, e lanço
Esperanças ao mar, quais âncoras ferrugentas
De usos infrutíferos ou inacabados

E calo, e torno, e a triste
Sina dos que não sabem
Mas vivem, sentem, são!

E vivo, e morro, para sempre
Naquele ciclo que o destino a todos reserva
Ao círculo desconhecido a que retornamos
Um dia

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Juras

Quis dizer-te um dia
Que não cruzasses a soleira
Da vida, que um dia quis
Que o fizesses sobranceira

Volta, pois de braços abertos
Eu te receberia
Passa o tempo e eu olho o relógio malvado
Lembrando juras de amor que dizias
E eu que de culpado
Tenho apenas o amor que te dediquei
Todos os dias

Envelheci, sabendo mais do que queria
Vivendo menos do que sonhava
Sonhando mais que vivendo
E, devagar, morrendo (sem ti!)

Quis sussurrar-te um dia
(Esse dia em que fechaste a porta sem olhar para trás)
Não vás, não vás
Fica antes aqui, à lareira da vida

E bem, que me resta?
Um pouco de pão, uma acha de fogueira perdida
E as juras que dizias, que eu ouvia deleitado
São desventuras da vida

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Clarezas Quiçá

É com objectivos traçados
Que vos quero observar
Que vos quero estudar, sabem
A vocês todos aqueles que dizem ser
Ou viver por aí, pelas estradas e cantos
Que querem amar, ou perdoar
Ou odiar (quem sabe)!

A humanidade
Ah, que capricho meu, este das palavras caras
Os homens! Sim, o Homem
Esse bicho criado e feito pela experiência

Penso que seria literariamente fútil negar
Complexidades e desalinhos que temos
Sabemos bem que os temos, sim
Mas enrolamos estes dissabores alucinantes
Em nome da dita simplicidade
Tão, tão desnecessária
Somos complicados, sempre fomos, sempre seremos
Provavelmente cada vez mais

Que não se neguem as complicações em nome do estudo
Porventura se façam descobertas interessantes
Quiçá

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Amanhecia o sol
Como o raiar de um novo dia
Como beijo maternal à Terra que desperta
E que esse beijo mordia

Meu amor
Nunca soube se desgraça eras
Ou se da vida me arrancavas
Se me adormeceras

Acomete-me essa inspiração
Agora de luar tardio
E de um uivado sozinho
Perdido na noite
Perdido no fastio
Do caminhante
Que se senta à luz escura
Do luar dançante

Cerro as mãos
Como o Sol que quer a Lua
E que cai no sono dos irmãos
Separados só por escolha tua

Entre os teus braços
Anseio pelo amor que tarda
Pela felicidade que resguardas
Em teus fugidios abraços

E se é desejo de geração
Não saberia responder
Levo comigo a canção
Dos enamorados
Que com a Lua se querem perder

Perde-te no beijo carinhoso
Do Sol que desperta a Terra
Nesse beijo que a vida desterra
Para sempre à escuridão do luar
E olho a noite no silêncio dos inocentes