Se as palavras fossem coloridas, podíamos pintá-las e ficar a contemplar a sua beleza... Mas as palavras não são coloridas, são de beleza efémera. Dizem-se, sentem-se, e depois murcham até não serem mais nada...
Muitas vezes, são as raízes que prendem as palavras aos gestos, às vontades, aos medos, e chegam a passar-se anos até que se consigam libertar e florir, ainda que a sua beleza seja efémera.
Há palavras muito bonitas, como filho, por exemplo, ou pai, ou mãe, amigo ou irmão, irmã e tantas outras. Todas elas têm uma beleza muito particular que as faz ser diferentes entre si, mas iguais na sua beleza.
Não há palavras mais bonitas, ou mais perfeitas, ou mais normais e vulgares; há palavras diferentes e é na sua diferença que todas são palavras. A escolha é de cada um.
Mesmo que possamos pensar que não conhecemos algumas palavras - ou que conhecemos mas temos medo de usá-las, medo de com elas ferir alguém que amamos muito, medo que sejam tão duras essas palavras que nos atraiçoem, que nos façam mentir, mesmo assim...
Mesmo assim, todas as palavras passam no tribunal da verdade, e só a vida as pode proteger.
in Teatro "Segredos", Junho 2008, Teatro Mundial
domingo, 26 de julho de 2009
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Um comentário:
Vai escrevendo Miguel, vai escrevendo.
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