Corria.
Corria descalço pela pedra fria, a noite já cerrada. As roupas deixavam muito a desejar, rasgadas e sujas. Mas corria na mesma, corria como nunca. Todos se haviam já recolhido ao conforto do lar. Menos ele. Ele corria na rua, com as mãos geladas e olhar obstinado. Sentia que nada mais interessava, pensava que nunca ia parar de correr. Sentia-se verdadeiramente forte e ao mesmo tempo, desesperadamente fraco e necessitado. Mas corria; corria como se tudo dependesse disso. Os poucos que ainda passeavam na rua paravam, olhavam, comentavam, mas depressa esqueciam e prosseguiam. E assim correu durante muito tempo, não sentindo cansaço, ou fadiga, ou sonolência. Chegara às imediações da cidade. A partir daqui, um trilho sinuoso de terra batida conduzia a campos, pradarias, e a uma enorme praia deserta. Foi para aqui que se dirigiu, ansiando por poder correr mais, por poder afastar-se do veneno urbano. E foi aqui que ele deu asas aos pés, descalço mas feliz, e correu pela praia com o vento frio nos cabelos. Por um momento, por um único e singular momento, parou e olhou o mar. Depois, continuou, continuou a correr para o desconhecido.
sábado, 20 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Perseguição
E eu te seguirei até ao fim do mundo
E perseguirei qual louco vagabundo
Me disfarçarei
Nas tuas sombras delicadas
E no negro da noite,
Na escuridão da meia-noite
Não me notarás, meu amor
Nesse teu rasto encantador
Por ruelas esquecidas passarás
Em passo rápido, mordaz
E de forma inerente
Atrás estarei eu
Sem reparares
Quase demente
Atrás de corpo teu
De formas similares
Mais elementares
Devoção obediente
Ainda não notaste
Que te persigo pela cidade
E pelos campos e oceanos
E pelos ares levianos
E na atenção a igualdade
Que não consigo encontrar
Cresce-me a indignidade
E eu te seguirei até ao fim do mundo
E perseguirei num alento profundo
Maldição, eterna maldição
Estou preso, sem dúvida
Mas pelo coração...
E perseguirei qual louco vagabundo
Me disfarçarei
Nas tuas sombras delicadas
E no negro da noite,
Na escuridão da meia-noite
Não me notarás, meu amor
Nesse teu rasto encantador
Por ruelas esquecidas passarás
Em passo rápido, mordaz
E de forma inerente
Atrás estarei eu
Sem reparares
Quase demente
Atrás de corpo teu
De formas similares
Mais elementares
Devoção obediente
Ainda não notaste
Que te persigo pela cidade
E pelos campos e oceanos
E pelos ares levianos
E na atenção a igualdade
Que não consigo encontrar
Cresce-me a indignidade
E eu te seguirei até ao fim do mundo
E perseguirei num alento profundo
Maldição, eterna maldição
Estou preso, sem dúvida
Mas pelo coração...
sexta-feira, 30 de maio de 2008
O Poeta Sonhador
O poeta foi embora
Caramba, e agora?
O poeta voou daqui
Não disse adeus
Nem a mim
Nem a ti!
Deixou cá a poesia
Mas a alegria
Essa levou-a ele
Para um lugar bem longe
Esqueceu-se do tinteiro
Da pena e do papel
À sombra do salgueiro
Foi crescendo a escrever
Voltou, o poeta!
"Saudades", disse ele
Cá para mim
Não gostou do sonho
E voltou da meta
Para o salgueiro enfadonho
Vemos todos, passa o ano
E o poeta talvez
De novo sonhador
Foi-se embora outra vez
Estranho homem, penso eu
Com um bocejo e um suspiro
Lembro-me do velho salgueiro
E do poeta no seu retiro
Corre em mim o pensamento
Para sempre estamos sós
E a memória do tormento
Daquele homem
O poeta sonhador!
Que já não está entre nós...
Caramba, e agora?
O poeta voou daqui
Não disse adeus
Nem a mim
Nem a ti!
Deixou cá a poesia
Mas a alegria
Essa levou-a ele
Para um lugar bem longe
Esqueceu-se do tinteiro
Da pena e do papel
À sombra do salgueiro
Foi crescendo a escrever
Voltou, o poeta!
"Saudades", disse ele
Cá para mim
Não gostou do sonho
E voltou da meta
Para o salgueiro enfadonho
Vemos todos, passa o ano
E o poeta talvez
De novo sonhador
Foi-se embora outra vez
Estranho homem, penso eu
Com um bocejo e um suspiro
Lembro-me do velho salgueiro
E do poeta no seu retiro
Corre em mim o pensamento
Para sempre estamos sós
E a memória do tormento
Daquele homem
O poeta sonhador!
Que já não está entre nós...
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