Tenho medo do que me consome
Das facções da carne retalhada
Dos remendos na sola
Da água que pinga da goteira
Tenho medo de me tornar
De sentir o ávido desprazer
Da complacência giratória
De me perder junto com os pássaros da estrada
Tenho medo
Mas não receio
Tenho a coragem mas falta-me a marcha
Falha-me o sentido mas não a urgência
Nem os índios que assobiam
Nem os sonos de terra batida
Nem o raspar da madeira
Nem as harpias que esvoaçam
Nem o silvo do final
Tenho medo mas não temo
Porque daqui para a frente
São só dois passos
sábado, 9 de novembro de 2013
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