Tenho medo do que me consome
Das facções da carne retalhada
Dos remendos na sola
Da água que pinga da goteira
Tenho medo de me tornar
De sentir o ávido desprazer
Da complacência giratória
De me perder junto com os pássaros da estrada
Tenho medo
Mas não receio
Tenho a coragem mas falta-me a marcha
Falha-me o sentido mas não a urgência
Nem os índios que assobiam
Nem os sonos de terra batida
Nem o raspar da madeira
Nem as harpias que esvoaçam
Nem o silvo do final
Tenho medo mas não temo
Porque daqui para a frente
São só dois passos
sábado, 9 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
No bairro do povo
Arrefecem os gritos
E parte o barco dos conflitos
Já não vem de novo
A mãe beija o filho
Não lagrima
Mais, já nem estima
A própria vida em encruzilho
Adeus, amor.
Esperaria por ti sempre
Mas sei que não voltas
Adeus, filho querido.
Vai e sê feliz
Agarra a vida e não tornes
Já não há alma aqui que te salve.
Arrefecem os gritos
E parte o barco dos conflitos
Já não vem de novo
A mãe beija o filho
Não lagrima
Mais, já nem estima
A própria vida em encruzilho
Adeus, amor.
Esperaria por ti sempre
Mas sei que não voltas
Adeus, filho querido.
Vai e sê feliz
Agarra a vida e não tornes
Já não há alma aqui que te salve.
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