sábado, 9 de novembro de 2013

Tenho medo do que me consome
Das facções da carne retalhada
Dos remendos na sola
Da água que pinga da goteira

Tenho medo de me tornar
De sentir o ávido desprazer
Da complacência giratória
De me perder junto com os pássaros da estrada

Tenho medo
Mas não receio
Tenho a coragem mas falta-me a marcha
Falha-me o sentido mas não a urgência

Nem os índios que assobiam
Nem os sonos de terra batida

Nem o raspar da madeira
Nem as harpias que esvoaçam
Nem o silvo do final

Tenho medo mas não temo
Porque daqui para a frente
São só dois passos

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

No bairro do povo
Arrefecem os gritos
E parte o barco dos conflitos
Já não vem de novo

A mãe beija o filho
Não lagrima
Mais, já nem estima
A própria vida em encruzilho

Adeus, amor.
Esperaria por ti sempre
Mas sei que não voltas

Adeus, filho querido.
Vai e sê feliz
Agarra a vida e não tornes

Já não há alma aqui que te salve.