quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As jóias da coroa que caiu
Já não luzem
Os ceptros reais, do rei que fugiu
Que os usem

Os reinos de serras e mares?
Abandonados ao grito de um sonho
E a tradição, os cantares?
Perdidos ao sabor do enfadonho

As janelas que ficaram abertas
Apodrecem em lágrimas secas
As casas são já desertas
Vazias são agora as enxaquecas

E as ondas, que se revoltavam
Acalmaram
As tempestades, que se rebelavam?
Amainaram

Já não há motins no coração
Há becos, e baixios
Há poetas vadios
Remoendo em silêncio sua paixão

E as jóias, que tão bonitas eram
Embaciam
Vieram ventos que as absolveram
Da beleza que não queriam

O Império cai por terra
Às cinzas voltará
Se delas veio, e do fogo que encerra
Aqueles que a vida levará

Os céus, antes anis de felicidade
São cinzentos de resignação
Ajoelham-se, como que por vontade
Da chuva, que escorre para o chão

Uma folha cai
(Amarelece assai)
Já não sente a mãe
Esquece quem outrora a tem

E as jóias, que luziam como una?
Que deslumbravam?
Findaram - tolhidas pela fortuna
Do infeliz Império que representavam